sábado, 19 de dezembro de 2009

Ao homem da minha vida


Não é com um adeus que me despeço, faço-o com um até logo. A dor que me toma nesse momento não é a de sua partida mas pela indefinição de quando nos encontraremos de novo. Escrevo com angustia de que você o pudesse ler, embora você já soubesse de tudo isso. Mas eu queria que me fosse dada mais uma chance de te lembrar o quanto eu te amava, te dar um abraço apertado e ouvir você dizer que tudo ficaria bem. Ah! Como eu queria sentir mais uma vez o seu calor, ouvir suas palavras sábias e olhar seus olhos de amor e me encher de coragem. Como eu queria fazer outras tantas coisas com você, caminhar na praia sem rumo só jogando conversa fora, virar a madrugada jogando truco...
Ai pai... quantas vezes eu me enchi de raiva para depois me banhar em lágrimas, porque eu tinha raiva de como você conseguia me sentir, como você descobria em mim os defeitos que eu escondia de mim mesma, como você me apresentava a mim do meu âmago à minha carne -tão imperfeitos- de forma tão verdadeira. E era o único, o único que conseguia me fazer chorar como uma menina de 5 anos depois de tirada de si a boneca. Tudo isso para me preparar, para fazer de mim mulher de verdade e não uma boba despreparada, como você dizia. Você percebia em mim os erros e nunca consertou nada antes que eu pudesse sentir e prever o que fosse dar errado. Sempre me apontando a direção, me guiando, me emprestando as tuas pernas quando as minhas estavam tremulas. Você inaugurou em mim todas as minhas virtudes. E eu devo a você tudo o que sou e o que serei no futuro.
Nesse momento eu me sinto tão pequenininha e o mundo parece ter ficado enorme sem você aqui. Dentro de mim um vazio tão grande tenta tomar conta do meu ser a todo momento. E também, a dor de não vê-lo realizar todos os seus planos. Você planejava tanta coisa, tinha tantos projetos, sonhou tanto e quando começava a por em prática... Mas ao mesmo tempo, você era tão forte, e tão sensitivo que preparou tudo para nós, não deixou-nos desamparadas sequer agora que seu corpo não está mais entre nós.
Você viveu e fez tanto por mim, que eu me sinto inválida de mais por não ter tido a chance de retribuir ao menos metade (já que nunca eu conseguiria fazer o que você fez). Eu queria ver você velhinho, acariciar os seus cabelos brancos, e beijar o seu rostinho cheio de linhas do tempo, isto tudo enquanto você contava as peripécias da sua ida ao supermercado. Vês? Já começo mais uma vez a falar do que poderia ter sido e não foi. Com a esperança de que daqui a pouco você vai chegar, abrir a porta e fazer todos que tivessem deitados se levantarem porque iriamos sair para algum lugar, nos divertirmos. Todo lugar me lembra você, cada cantinho da casa, cada objeto, que sempre tinha sua assaz opinião. E tudo que eu me lembre agora vai doer.
Tudo era você, você foi meu herói, meu melhor amigo, o homem mais sábio que eu já conheci (e sei que não haverá igual), o homem que tão novo viveu tantas coisas, passou por outras tantas e continuou de pé, o homem que não parava um minuto sequer, o homem que tantas noites passou em claro porque alguma coisa atormentava a mim ou alguém da família, o homem com o qual fiquei tantas madrugadas conversando, sempre me passando experiência, me instruindo. Foi você que tirou as rodinhas da minha bicicleta e que na primeira queda mostrou que o medo e o trauma fariam com que eu nunca mais andasse para frente. Você foi e é o pai que muitos gostariam de ter, você foi PAI por completo, com todas as responsabilidades que a palavra acarreta. E talvez, por ter sido tão pai, tão intensamente, foi ao seu descanso cedo (cedo para nós que te queríamos aqui eterno) porque cumpriu a sua missão nesse plano.
Sei que agora é a hora de colocar em prática tudo aquilo que você me ensinou. Fico com a certeza de que você foi para a luz, onde a primavera é eterna. E sua alma estará sempre com a minha. A força que me mantém de pé só pode emanar de fontes como as suas e por isso aceitarei a sua ida, assim como você aceitava. Você sempre aceitou tão bem a morte!
As lágrimas que caem enquanto escrevo, logo logo se tornarão saudades e cairão mais uma vez, porém de forma serena.

Eu sempre te amarei.

Até logo.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Balanço

Tudo que é
e tudo que sou.
Todo mundo do lado de fora.
lá! Corre a senhora dona cidade
mas não se move.

Resta a última gota do último cálice.
E a cidade não se move,
os prédios não dançam
como as moças de família dançam no ônibus às 18:30
Para lá e para cá saculeja em cada curva.
Sincronia imediata.

Sou eu quem vê agora
do lado de fora
de dentro da janela
A vida saculejando.
Como no balanço da criança que chora para se jogar.

Balança no meu balanço
para brincar de ver a cidade se movimentar.
Rodar até ficar tonto
Tduo igrar
rrgia, ragir,rigar, girar...
vento que não move
me faz girar, rgria, igar...

domingo, 25 de outubro de 2009

A casa

Ela já não via a hora do natal. Não que aquela garotinha gostasse de natal ou guardasse em si crenças religiosas. Gostava porque gostava. Porque percebera que perto do natal tudo é feliz, que as luzinhas brilhando a noite davam uma sensação de calor humano, de vida em uma cidade onde tudo é solidão. Gostava das lojas cheias de enfeites, ainda que acreditasse ser aquilo um tremendo consumismo. Talvez fosse porque enfim as pessoas adquiriam a união e coletividade, ao menos naquele período natalino.
Numa de suas andanças boêmias, se deparou com uma cena que a fez chegar em uma de suas afáveis opiniões. Na ocasião, estava em um bairro daqueles em que no natal, as casas se fantasiam de cores, luzes e personagens que criavam vida. Nunca entendera porque cargas d'agua aquele homem gordo, de vermelho e barba branca era símbolo natalino. Mas suas conclusões a respeito daquele ficaram para outros natais. Neste, ficara tão concentrada que não sobrara tempo para nenhum outro pensamento.
Aconteceu o seguinte, no meio de tantas casas vivas, uma ali tinha um brilho diferente, talvez pela falta de luzes. Como se fosse uma fogueira que teima para se manter acesa, que queima até se esgotar e só apaga porque a lenha acabou já que o vento carrega pra frente. Do lado de fora, uma estrelinha meio apagada e suja, teria sido pendurada perto do telhado.
Enquanto as gotículas da chuva faziam tectectictictac na janela, uma criança observava o mundo do lado de fora por entre o vidro. Tinha um ar singelo, sem melancolia que machuca a alma. Era um menino, um menino e uma casa. A casa e o menino. Um só, um mesmo mistério. O que estaria pensando aquela criança que, provavelmente, passara todos os natais fixada nas casas com muitas luzes, estrelas brilhantes, bolinhas coloridas e árvores enfeitadas enquanto a sua segurava apenas a uma estrela pequenina? O que fora aquela criança durante todo este tempo?
A garotinha que se encantava com os natais, passou então a observar aquele menino todos os dias. Afim de que seus olhos pudessem se encontrar e sua face lhe mostrasse porque ele se escondia das cores. A mesma coisa fez durante duas semanas, até que o garoto, com um gesto assaz prudente chamou-a para entrar. E ela, quando se deu conta, já estava com os pés no carpete da varanda, um tanto assustada. Ao contrário do que sua imaginação houvera bolado, ali era um lugar iluminado, uma árvore no meio da sala de estar deixava o ar mais leve. Tudo irradiava cores.
Assim são as pessoas, dizia o garoto, aquelas que pouco se preocupam em se mostrar são justamente aquelas que mais têm para oferecer. As pessoas que mais se escondem são as que são encontradas por uma causa maior. Aprenda que a luz deve ser percebida e não olhada. Que as pessoas mais escuras por fora são aquelas que irradiam por dentro. E tudo o que precisamos é apenas permitir que nossa estrela aponte o sinal da vida, que ela se acenda para aqueles que conseguem ver. Tudo o que se enfeita de mais por fora é pra suprir o que falta do lado de dentro. E ninguém nunca conseguiria se mover normalmente com três pernas. Porque não foi feito pra ser assim, porque eu não posso ser mais do que aquilo que existe em mim mesmo. Eu posso estar contido em outros conjuntos mas não posso conte-los em mim. Essa é a matemática da vida, a função dos seres.
A partir daquele momento, os natais nunca mais foram os mesmos para ninguém. Porque o ninguém das pessoas é tudo aquilo que de alguma forma aja sobre os cada uns espalhados pelo mundo. Aquela garotinha aprendeu que todos têm o poder de escolher a casa em que vão querer entrar, de onde colocarão suas luzes para brilhar, se ficarão com o jardim ou os carros. E que essas escolhas são aquelas que farão com que as casas se iluminem das luzes artificiais ou não.

sábado, 17 de outubro de 2009

As crianças despertam


O vento sopra forte lá fora.
O dia amanheceu poesiando e musicalizando.
Sim, tudo ao mesmo tempo!
Tirtilintando sonhos
e balbuciando sorrisos...
Embaixo de mim,
os campos.
Assisto do último andar crianças subindo em árvores
e árvores crianças sincronizando danças ao vento.
Ouço o barulho das bolinhas de gude rolando.
Silêncio agitado.
Todos os pequenos me cabem.
E já me cansei do último andar;
de ser espectador das minhas crianças.
Elas me pediram para voltar.
Pulei da sacada,
para sonhar.
Alcancei vôo
e os meus pequeninos me rodearam.
Voando pelos bosques infinitos
Irradiando cores
Deixando cair a tempestade de poesia
enquanto a lua cantava amores.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Poema Sujo

Tanta coisa pra fazer
e a sincera vontade de não fazer nada
Pensamentos que se pudessem
pegariam suas pernas e sairiam correndo.
Sinto em mim o peso de vidas inteiras
e o descompasso de não saber o que fazer.
Da vontade de ser encontrada
sem antes encontrar a mim mesma.
Hoje se eu pudesse,
jogaria tudo que colocaram sobre mim
em um abismo infinito.
E correria pro vale mais distante
pra fazer um trato com minha solidão.
Porque a chuva caindo em uma tarde fria
dói demais quando se está sozinho.
Preciso de um tempo para não pensar, não ver,
não sentir essa puta dor que não entende porque dói tanto.
Mas minha inconstância é grande demais pro equilíbrio.
E os pequenos me disseram que eu não conseguiria
ao menos que decidisse não mais sentir.
Quero então dormir no sono mais profundo
que os mortos jamais ousaram experimentar.
Pra mais tarde voltar a mim.
Pra ser o eu que se perdeu nos meu caminhos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pra florescer mais tarde III


As flores sorriem
Bate na janela os pingos da primavera
Finda o inverno
Caos.
Enfim te alcanço
equilíbrio.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pra florescer mais tarde II


Chuva que cai sem cessar
Que alaga
Vem pra marcar a passagem dos tempos
A transformação
Não mais são necessários os desejos da carne
Só chuva.
Vento, LIBERDADE.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Pra florescer mais tarde


Ah, já a quanto tempo cai sem molhar-me, oh bela!
Chuva, vem enfim lavar-me.
E permita que a partir de hoje eu apenas esqueça
Dos dias em que a solidão da estrada invadiu minha alma;
Que os meus pés foram maiores que meus passos;
De quando não permiti que a música me invadisse.
Olharei o mundo com os olhos atentos de um sábio
e com a simplicidade de uma criança.

Da queda

Sigo cada passo dessa estrada e sei que não vai dar em nada, mas é mais do que intuição. Impaciente bato os pés no soleiro. Hoje brigo com meu espelho que só inventa ilusões. Já perdi os ponteiros do relógio da sala de estar. Agora, hora é só de sorrir e a inspiração vem no ar. Um violão, uma rede na lua lá de casa. Três estrelas ainda apontam qual é a direção. Andar descalça, brincar no barro, girar até cair no chão. Caio de bunda, sujo a roupa, molho o pé, o desconserto mora ao lado da indecisão. Busco a queda, que quando não machuca só diverte. Quero escorregar mais uma vez no meu parquinho particular.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ser... das cores!


Quantas luas se passaram
E quantos jardins se desfizeram
pra coerência deixar de ser
e se descobrir...
Um ser de lua
de estrelas
ser do sol
do brilho intenso
e da chuva abundante
que escorre ainda em suas paredes,
vermelho-sangue,
as gotas da última tempestade.
O vento gélido ainda toma as formas cacheadas,
mas as flores se abrem em cores.
É primavera em mim.
Sorrio,
mesmo quando as folhas caem.

domingo, 16 de agosto de 2009

Sur(Real) assim

Toca vento, leve nas folhas
Leva a poeira acomodada nas suas espessas linhas
Faz as gotas de chuva tocarem mais uma vez na minha janela
Faz me chamarem para sonhar com elas!

Traz pra perto de mim a lua
A mesma lua que ri dos meus festejos
por eu pedir-lhe conselhos.

Deixa o sol andar ao meu lado vento.
Quero que ele acenda a luz junto a mim.
Já me cansei das conversas das madrugadas.
Gira, sol.
Mas não me deixe!

Faz tudo isso vento
mas fique ao meu lado
e quando as asas da minha alma pedirem pra voar
Interceda ao nosso favor para a gravidade.

sábado, 15 de agosto de 2009

Derradeiras palavras

Leva contigo o vento frio que trouxe para dentro de mim,
que no momento deixarei que o sol me aponte a direção
e eu me levarei.
Encare-me como fazia no começo
aonde ficaram seus olhos corajosos?
Se perderam no tempo, o leve com você
pois ao meu lado,
ele conta as horas, segundo a segundo.
Fica a espreita esperando que chegue
e me peça para entrar...
Não pede,
mas entra.
Desperta em mim os mais avassaladores sentimentos,
e acaba com todos meus sonhos por um instante.
Esculpo todas as palavras dentro de meu peito
afim de que se mostrem menos cruéis para contigo.
A culpa não é sua.
Não tenho a ninguém a quem culpar senão a mim mesma.
Mas por que não me deixa ir?
Não mais permitirei que palavras me façam voltar atrás.
Pensei muito, em tudo, assim como você o faz
assim como você pensa e se detém a fazer todas as o coisas em relação a mim.
Sei que fui eu quem não percebeu,
quem olhou mas não quis ver.
Abro os olhos,
não quero manté-los fechados.
E não quero que fique mais com o controle dos meus sentimentos.
Nesse instante ficarei com todas as coisas boas que já me fez sentir
Mas que não mais pode me oferecer.
Fico com certeza de que sou forte e hoje é um novo dia.
E você,
fique com a certeza de que eu já estive disposta a tudo por ti.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Aumenta... O infinito!


Sonhos não são vaidades!
Sonho ainda que só
tesourando papéis
fogarando retratos
que (a)notam tristeza.
A tristeza é ponte
não é extremo
é casa cheia
e coração vazio
é copo amargo
pra se beber numa só golada
e jogar água por cima
derramar
deixar cair
fazer tempestade fora do copo
dentro de mim
pra levar
limpar
brincar
com o que for ruim
amplia a amplidão
e jorra mais água em mim
gota a gota não
joga o balde
a bacia
joga o mar pra não virar sertão
sertão certo
(in)certo
em ímpeto!
ai é deserto
danço só
e sonho!
Ahh vento incessante
quero ver fazer voar os meus cabelos!
se voa eu acompanho
mas os ventos levam
e eu me prendo
estendo
os meus varrais
incoerentes
incoerência
falta alma!
Mas que alma equivocada
se lava
se varre
se voa
se fecha
e não abre!
não abre mão de sonhar
Sonhos são portas
janelas d' alma
estrada da vida
motivação
agora vai...
AMPLIA A AMPLIDÃO!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Antiquariadequado


Ainda anda comigo o mesmo all star velho e sujo, umas pulseiras que me adotaram e minha mochila sempre bagunçada, com papéis amassados e a agenda lá no fundo, jogada. Continua em mim a velha mania de sair atrasada e deixar a memória em casa. Minha mãe sempre a me xingar por não acordar mais cedo e eu continuo não gostando de comer de manhã. Ainda gosto das surpresas simples, do abraço amigo e do bom dia. Continuo com a mania de andar descalça no frio e de ficar até tarde na varanda só pra ver o sol se por e a lua surgir, até ser chamada pra dentro com um carinhoso: "você vai ficar resfriada". É, é bom perceber que algumas coisas continuam as mesmas, que eu continuarei a ser a "garotinha do papai" por um tempo indeterminado. Mas o meu all star às vezes grita de frustração e a bate meus pés segundo, segundo no chão. As pulseiras se tornaram essenciais e a mochila, horas, não suporta a bagagem, preocupações, problemas, frustrações, escola. Tem hora que a memória não permite ser deixada em casa e até aí, minha mãe já está muito estressada. O estômago às vezes sente falta, e eu realmente fico resfriada. Ahh, e aí a lua me lembra que o sol sempre volta, e são nos momentos em que eu estou mais estressada que meus amigos me surpreendem pela alegria sincera e simples do bom dia! Aí o dia fica quente. Eu continuo a mesma, algumas coisas é que não mais me pertencem, ou me esqueceram, como o amigo que fazia poesias comigo. Sinto falta de tudo o que um dia já foi meu, meu amigo, minha avó, meu caderno rabiscado, meus poemas rasgados. É a roda da vida, as coisas não acabam, tudo continua vivo. Como os vícios, as coisas dormem, e continuam a espera de quem as desperte.

domingo, 5 de julho de 2009

A lâmpada esfriou
Vela acesa
Chama inconstante...
Tentam me pisar,
eu sei.
Meus pés se cansaram de caminhar sem rumo,
Estão tentando apagar meus sonhos
mas a luz que incide sobre eles é como a luz que apaga a escuridão.
Quero sair daqui.
Eu preciso fugir pros montes,
para minha casa de madeira e pro meu coração.
Para sentir bater, sentir esquentar...
Para esfriar o inverno dentro da minha cabeça.
Para cessar a tempestade que estacionou sobre mim.
Afim de que eu me lembre que não deve-se deixar de sorrir.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A presença da falta

Será o sopro que me tornará o que não fui?
e o que me fará entender
que o que não me cabe é pouco?

O pouco que me falta nesse instante é tudo...
A volta da âncora que não deu partida...

Não quero os meios,
pouco lembro o princípio,
embora me lembre rindo do que não tem graça.
A lucidez da alma apaga os fins.
Não há justificativa que preencha espaços.
Espaços só são preenchidos com presença .
Presença assimilada.

Como pode ser o que não existe?
Se o fácil coexiste no concreto, abstraio!
O infinito espaço não aceita passos falsos,
Fala a complexidade de sentir,
que o simples está envolto de complexidade tamanha
que só enxerga a distância do ser.
Não se ultrapassa!
Cansei de tudo o que dói sem atravessar.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O Dilacerado

Era mais um dia de constância. Havia 9 dias que aquele rapaz não dormia. Como um predador faminto a procura da caça, mantinha os olhos fixos, imensos em busca de explicação. Mais lhe pediam e menos desviava os olhos atentos daquele senhor que, um pouco desfigurado, observava o céu. Este, parecia se difundir dentre os montes, pelos quais, ele costumava caminhar, já de tardezinha. Embora a beleza não o possuísse, infortúnio seria não afirmar que quando o sol se punha, aquela cena parecia ter sido retirada de alguma tela de um célebre pintor, tamanha intensidade e reflexão trazia.
O rapaz decidiu então, ir atrás daquele homem, este não aceitava qualquer aproximação. O rapaz correu - talvez como nunca correra antes- enfiou-se entre os arbustos e não mais o pôde achar. Informando-se, atingiu o abrigo daquele homem, uma altitude imensa. Respirou fundo o ar rarefeito do lugar e bateu na porta com o desespero de quem seguiu a tropeçar até enfim se acabarem as pedras. Ele tinha sede de resposta, precisava daquela conversa.
A porta se abriu, para seu espanto o homem o receberia. Adentrou três passos e ficou a observar, todos os lados, cantos e margens. Enquanto o senhor, perseguia-o com o olhar.
Aquele rapaz possuía um brilho, um sorriso, teria atingido ali uma vivacidade inexpressiva, parecia a criança que enfim encontrara seu doce!
O homem, depois de algum tempo, com a voz falha, pôs-se a dizer: " Meu jovem, quero que me compreenda. Sou um velho e aproximo-me cada dia mais do fim da estrada. Não me siga, vá viver, trabalhe, mas o faça bem, para que enxergue, cada vez mais, cada dia mais, uma oportunidade de fazer tudo diferente, de sentir o pulsar da vida quente, de dar a cada gota de orvalho a importância que cabe a todas as coisas simples e belas!"
O rapaz não pôde se conter e disse: " Mas o senhor é sábio, é o poeta, aquele mais contemplado das últimas décadas. E eu, queria tanto entrevistá-lo!"
O senhor então, sério mas não perdendo o ar de bondade, pronunciou: " Nove dias a se cansar meu caro? Do que vale? Diga-me? Todo o meu sucesso veio porque eu permiti que meus medos partissem sem sequelas, para que eu enfim vivesse para mim. Escrevo para mim, para viver e sorrir. Se me entristeço, para cá venho me refugiar afim de que nenhuma pessoa se contamine com a minha tristeza."
No momento o rapaz nada pôde dizer, desmoronou ali e encharcou-se em lágrimas, parece que enfim havia notado que até ali sua vida teria se passado despercebida. Chorava com a dor de alguém que perde seu ente querido, pois havia perdido o que mais deveria amar em todo seu existir. Havia perdido a si mesmo. No espelho encontrava um desconhecido. Era como se da sua infância até aquele dia, tivessem inserido um espaço, não haviam memórias, nem sorrisos, apenas um vazio...
O velho em um último suspiro, disse: "Sempre existe outro caminho!"
Caiu imóvel no chão, havia morrido. Parece que esperava aquele momento para que pudesse partir. Aquelas palavras marcariam aquele rapaz, por toda sua vida.

Sem princípio ou fim



Meu sonho é assim tão certo de existir...
É um sonho sonhado de alma sem corpo,
sonho o dia todo!
Não há porque fechar os olhos...
Devaneio no quarto, na rua,
com o pão-de-queijo...
A lua que contemplo
ás vezes ri dos meus festejos.
É que sempre lhe peço conselhos.
E ela,
com implacável esmero,
liberta meu íntimo
e me apresenta a mim.
Tão estranho conhecer-me,
quanto mais vejo
ainda mais me perco.
Nem me espanto,
qualquer dia eu me encontro!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ilógico


Porque diabos queres paredes?
tens o céu de um mundo inteiro para voar.
No tumulto das ruas,
pus-me a observar aqueles seres...
solitários e tão vazios!
Perplexos pela confusão de suas vidas.
Quão cheias!
Preocupações, simpatia forçada...
Coisas que fazem das pessoas seres que são apenas por ser...
Comuns!

Se olhares para o céu por um só momento,
verás a lua que brilha lá no alto.
Ainda que triste,
o brilho se mantém o mesmo.
Mas a sua intensidade
é aquela capaz de refletir algum sorriso!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A direção que quiser




Libertinagem

Eu não quero me sentir como todos que enxergam o que olham. Não quero ser apenas por ser. Eu quero sentir o vento nos cabelos, a brisa que ressoa leve pelas manhãs. Quero exteriorizar o sol que esquenta dentro de mim, até que a iminência dos meus sentimentos fale ainda que sem palavras tudo o que ficou a dizer. Quero a beleza de tudo o que emane de fontes simples.

Sem porto,só tenho vela, vou pelo mundo velejar.
Escalo as mais altas montanhas
para enfim voar.
Meu sonho saber o seu lugar.

Não é casual
é minha,
é LIBERDADE.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Benevolência à vida



A chuva que recebeu parecia um mar.
Na curta tentativa de se manter quente a cor
na extremidade do movimento
perdeu-se no seu labirinto repleto de vento.
Estrelas caíam
Poeira sobrava
Seu corpo nem via
Que a cada manhã o sol sorria.

Foi maré brava
com nuvens negras
a atormentar o espírito.
Triste, sombrio...
Incauto!
Foi tanto insistir em um alto sonho com asas
que parado estava,
mas ao se aproximar,
voava.
Levava consigo o céu, as rosas e o sorriso.

Mas no tumulto dos dias,
em águas frias
seu corpo melancolicamente se jogava.
Até se acostumar com o frio
e no fim, se reduzir na cama e se afogar em lágrimas
tão quentes quanto o vazio que sentia.

Colocou em fuga noites douradas,
céu azul e as flores que lhe roubaram.
Um inferno distinto e frio.
que vai sempre rodar até desequilibrar.
O pensamento na direção do náufrago irá
em fluídos.
O embalo do sonho se desconfigurará
em nuvens densas
onde o calor não encontra lugar.

São todos fantasmas inertes a desembarcar
Mas sem nem pra sombra mais olhar,
ás vezes no além pode até a encontrar
já que essa vida se põem a rodar.
Ainda assim,
lá estará a remar o barquinho da vida
sem âncoras
Só a velejar...

Seu corpo todo poesia será!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ébria de versos

Meus dias gostam da inconstância. É essa tristeza que sempre dura e a felicidade que me ignora. Eu gostaria de dizer tantas coisas mas me impeço, na verdade... uma parte de mim- cruel-, que me diz o que eu não quero escutar, me mostra o que evito ver, e me entrega despida as minhas verdades. E elas vem me afrontar, me despertam da insensatez da minha existência. Já não mais durmo, esse sonhos insistem em não me largar. Estou farta da realidade inexpressiva e das pessoas suscetíveis, cheias de comodismo assimilados a fraqueza de tais. Quero a luta, o combate, os olhos dilatados, a voz ativa, o almanaque todo renovado. Afim de que a aquarela da vida não seja em vão. Vou me embriagar de poesia. Vou me perder em noites, estradas, músicas e livros.
Que a sensatez vá pro inferno! Eu quero a vida, sem artifícios, sem ornatos. Vida, somente.

Qualquer coisa sobre sentir


Como escureceu logo cedo,
essas noites tão escuras e frias.
Languido vento ressoa todas as cortinas.
Fica a atravessar o peito.
Ai daqueles que sentem!

Um dilúvio de sentimentos
Traz tantos tormentos.
O mundo inteiro vai falar
vão insistir em se calar.

Um dias as vozes vão cessar
E então,
ficarei a morrer,
a morrer lentamente dentro de mim.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Já é tempo da verdade






Hoje o dia acordou quente demais para a minha apatia. Tudo que eu havia negado à mim nos dias passados, voltou a atingir-me numa realidade fria e crua,inundando meu combalido ser. Tentei novamente me conter, mas esse coração inútil fez com que os ventos aumentassem e todo o dia escureceu. É esse inverno que me toma em pleno outono, é esse frio que se alastra não só pelo meu corpo, e são todos esses pensamentos de outrora que me apontam um outra direção, um outro caminho. No entanto, esse infinitos momentos derradeiros me atam a juras que nunca serão cumpridas, e a tudo o que poderá ser um dia. Não vou mais me esconder, vou desnudar meu espírito para as páginas a serem escritas. E assim, vou me livrar de todas as mentiras de que me convenci, afim de descansar a alma em sonhos e utopias. Quero que os donos das mentiras que me contaram, sigam em paz, já que nenhuma lembrança é capaz de perdurar na frieza de tanta falsidade. Espero que a verdade venha a colorir todas as minhas estrelas!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

É vida!



Não faltam-me noites;
Noites de luz sem trevas ou visões
No caminho escuro e silencioso
ouve-se o soar do vento nas folhas
leve e sereno,
estendendo-se por toda a vida...


Deixei-me levar então
por uma daquelas folhas,
sépia e tão viva.
Total e enternecidamente
aprofunva naquele mar de mistérios
percorri cada espessura,
era como conhecer-me
passo a passo.


Fixadamente
analisava aquele pequenino ser.
Ela me chamava,
Era preciso desvendar seus mistérios.
Como o desgaste poderia dar-lhe mais vida?

Num suave vento ela se foi.
Bailava desajeitada pelo ar
Bela e velha
Naquele momento e só.
Atingi ali o ápice da paz
Que fique para amanhã a sede do infinito!

sábado, 25 de abril de 2009

Passagens tempestuosas


Há um vazio a falar sempre por mim,
um espaço que costumava ser preenchido...
E agora, acabei até por aprender o "inaprendível"
Visitei todos os campos e bosques da minha imaginação
Visitei meu próprio interior,
interiorizei o que me valia do mundo de fora
E não mais voltei.
Eu e mim no meu existir.
Até descobrir que sem o mundo de fora,
eu me esgotaria por dentro.
Essa minha inconstância temperamental
talvez reflita minha insistência em brincar com minhas ilusões.
Não tenho eterno ou para sempre,
nem mesmo passageiro.
Tenho barquinhos persistindo em levar-me ao remanso;
mas não o meu.
Querem que eu aprenda verdades que não me pertencem,
e meu humor já não paga café ao inglês.
Estou cansada...
Por enquanto ficarei com os anjos rebaixados e de asas quebradas que ninguém fala.
No meu refúgio,
Eu serei para sempre.

.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Descobrindo...


Os dias ensolarados sempre voltam
Esse astro nem insolente

Ilumina a alma,
vida, alegria
até transpira
enfim respira e me inspira.

...
Após v
entos fortes e o tumulto dos dias, começo a voltar a mim. E foi muito bom descobrir uma parte de mim e ainda sim continuar perdida nos meus infinitos caminhos!

ps: mais tarde escrevo sobre isso..=]

terça-feira, 21 de abril de 2009

Tendência Natural


Lá vai a garota dos negros caracóis
lhe disseram que lhe caem bem assim jogados
E ela já nem se importa com o comportamento de tais
Deixa-os sempre livres.
Cabe-lhes tomar a forma que quiserem.
Que garota desvairada!
Aprendeu ainda cedo que deve-se andar com a cabeça sempre levantada;
E assim vai com toda sua estrela estrangeira nos pés.
De simplicidade inata.
A garota dos olhos profundos e místicos
Olhos sempre perdidos.

-Mas veja só esses revoltosos caracóis moça!
Sabe que de fato, ofuscam teus traços.
Controle-os e deixe que eu melhor te veja.

-Impossível meu caro, e ouso contraria-lo,
são eles que enfeitam meu ser exaltado.
Além do mais, não me pertencem.

-Leva-os contigo e não são seus?

- Sim, foram eles que me adquiriram.
E são possuidores da liberdade.
Mas me diga...Com que razão eu mudaria o seu estado natural ?

Quimera


Como eu me enganei. E espero nunca voltar atrás. Lá se vão as mentiras que inventei insistindo no esquecer, camuflando as verdades que persisto em fingir não existirem.
Escrevo minúcias para que nada escape-me no momento. Lembro-me bem de como foi. E ignoro falar. Mas de repente esse turbilhão de pensamentos volta a cabeça, essas coisas insistem em tentar me enlouquecer. Não planejava deixar algo escrito para me recordar. Quando o faço, tudo vira ao avesso. Minha não aceitação das ver
dades propriamente ditas, me levam de volta a minha realidade fantasiada. Ai sei, de novo... vai tudo reiniciar...
Como se dependesse de mim.
Eu quero estar no controle da minha vida e dos meus sentimentos!

Mesmo que seja utopia...

Incoerência da Alma


Eu sempre me contradigo
Não que eu não seja precisa em minhas palavras
Vivo em constantes mutações
Abandonando a casca seca
e me renova
ndo
Tenho sede insaciável de entender
Entender o que nem se sabe
e pouco se busca
a minha própria realidade!